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Por: Rafael Poci Déa

A história da ZF iniciou há 105 anos com a produção de engrenagens para o dirigivel Zepellin. No Brasil, em 2018, a empresa completa 60 anos de atuação e foi a primeira fábrica fora da Alemanha, inaugurada em 15 de agosto de 1958, em São Caetano do Sul/SP. Com o slogan See (ver), Think (pensar) e Act (agir) é uma das mais importantes fornecedoras de componentes para a maioria das fabricantes de carros, véiculos comerciais, máquinas agrícolas assim como também está presente nos segmentos de construção e industrial. Para saber as evoluções nestas seis décadas no Brasil e o que aguardar do futuro conversamos com Wilson Bricio, presidente da ZF América do Sul.

Revista O Mecânico: Quais foram as grandes evoluções nestes 60 anos de ZF no Brasil?

WILSON BRICIO: Foram diversas evoluções, pois a ZF sempre buscou pela introdução de produtos com alta tecnologia e sempre pautada no quesito segurança. Em 1958, trouxemos a produção da primeira transmissão do DKW ao Brasil. Se levarmos em consideração as condições à época, foi um grande desafio. Nós queremos sempre estar à frente do que a indústria automotiva nos coloca. Esse é o DNA da ZF. No passado, os tempos de produção já foram longos, porém, atualmente a distância de tecnologia entre o nosso mercado para o do exterior está muito menor e acontecendo de forma concomitante. Ou seja, nosso grande desafio está em gerar agilidade, velocidade e competência. Quem não conseguir se adequar terá muita dificuldade no futuro.

 

O Mecânico: : O que o futuro nos reserva sobre a automação?

Bricio: Nós imaginamos que em 2023 praticamente 97% da frota pesada sairá com transmissão automatizada. Neste mesmo ano, 50 a 60% dos veículos de passeio estará com transmissão automática. Todas as funções que forem automatizadas dentro dos veículos para gerar maior conforto e eficiência vão ser implementadas. No entanto, algumas delas vão depender da escala de produção, assim como da infraestrutura. Estamos trabalhando muito na parte de assistência ao motorista e prevemos que em um ou dois anos temos condições de equipar um veículo totalmente autônomo para circular em áreas fechadas.

 

O Mecânico: E para andar nas ruas e avenidas?

Bricio: Conforme os sistemas foram se desenvolvendo, vamos precisar menos das informações do meio externo, como placas ou faixas de rodagem. A comunicação entre os veículos é fundamental para garantir segurança e para isso precisamos ter uma estrutura muito robusta. O maior problema não está na tecnologia e possuir um carro totalmente autônomo no Brasil não é difícil. O grande complicador está na legislação.

 

“Quem não se adequar aos novos processos terá muita dificuldade no futuro”

 

O Mecânico: : Como funciona a UniZF?

Bricio:: Em 2002, começamos a perceber uma perspectiva de crescimento tanto da economia quanto da indústria automotiva. Também analisámos que faltava uma mão de obra especializada. Entre 2003 e 2004, iniciamos a UniZF, que nos custou aproximadamente dois milhões de euros à época. Foi uma maneira de contribuir para o mercado e a sociedade. A UniZF é destianda aos funcionários e os parcerios da ZF, pois queremos que todos melhorem. Afinal, a capacitação é um dos nossos grandes diferenciais.

 

O Mecânico: Qual a importância do mecânico dentro da cadeia de autopeças?

Bricio: Ele é fundamental. Nós oferemos o “Programa Amigo Bom de Peça” e nosso compromisso é sempre melhorar a qualidade. Afinal, buscamos segurança acima de tudo. Ao todo, são mais de 14.000 certificações e as pessoas querem aprender.