Artigo

Flushing no motor: esse remédio vale mesmo a pena?

 

por Fernando Landulfo

 

Todo mundo (mecânicos e usuários) sabe, ou pelo menos deveria saber, que a utilização de um óleo lubrificante incorreto e/ou além do tempo recomendado pelo fabricante do motor, provoca a sua rápida deterioração. Como resultado aparece um resíduo negro e espesso, popularmente conhecido como “borra”.

 

Pois bem, esse famigerado flagelo, gerado pela falta de manutenção preventiva (troca de óleo) ou uma aplicação incorreta de lubrificante (o mais barato), se deposita por todo o sistema de lubrificação do motor. Um processo contínuo que acelera, à medida que o lubrificante “vencido” continua a ser utilizado, e que só é interrompido quando se dá a troca do mesmo.

 

As suas consequências são gravíssimas: entupimento de furos e galerias de passagem, impedindo a correta lubrificação dos componentes. Como sintomas mais comuns tem-se: o acionamento do alarme de baixa pressão de óleo e/ou o mau funcionamento dos tuchos hidráulicos e seu ruído característico (batida de tucho).

 

Trocar o óleo depois que a borra já está presente no motor apenas interrompe o processo de deposição. Removê-la já é outra conversa. As discussões a respeito de como tratar o problema da borra já vêm de longa data. Muito se fala, mas quase nenhuma literatura acadêmica trata do assunto.

 

As montadoras, assim como as associações de classe, recomendam a desmontagem, limpeza, inspeção e remontagem do motor (reparando aquilo que foi danificado). Uma solução eficiente, porém, cara. Dependendo da idade do veículo e do tamanho do bolso do seu proprietário, pode se tornar inviável.

 

ENTÃO, COMO TRATAR O PROBLEMA?

 

Os fabricantes de produtos químicos e aditivos, por sua vez, recomendam e defendem fervorosamente um procedimento denominado flushing (“descarga” em inglês). O mesmo consiste na introdução no motor de um produto químico no lugar, ou juntamente com o óleo lubrificante.

 

Durante o funcionamento do motor em marcha lenta, por um determinado tempo, esse produto dissolve borra. Quando o fluido é drenado todas as impurezas são removidas junto com ele. Como resultado, tem-se em pouquíssimo tempo uma limpeza interna completa de baixo custo.

 

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Esse solvente é realmente tão poderoso a ponto de dissolver e manter dispersa, em tão pouco tempo, uma quantidade tão grande de impurezas? Quais as propriedades lubrificantes do mesmo? E se é tão bom, por que as montadoras ainda não homologaram esse procedimento?

 

Por que não existe uma norma ABNT que regula esse procedimento? Existem publicações acadêmicas sobre a eficácia e segurança do procedimento?

 

Essas são apenas algumas das dúvidas que são levantadas a respeito do assunto. E o receio por parte do mecânico é mais do que justificável. Afinal de contas, quando o veículo está sob os cuidados da oficina a responsabilidade recai toda sobre a mesma. O carro não pode sair pior do que entrou. Se o fluido de limpeza não proporciona uma lubrificação adequada, durante o processo de limpeza, pode-se prejudicar as partes móveis do motor. Danos estes que só poderão ser “sentidos” depois de algum tempo. A ação desse produto junto aos vedadores e peças não metálicas é uma outra dúvida que aflige o Guerreiro das Oficinas.

 

Nesse ramo é preciso ter cuidado. O barato pode sair caro. E para piorar, os motores que estão mais sujeitos à formação de borra são os superalimentados. Ou seja, os que equipam os modelos mais caros.

 

É claro que os fabricantes desses produtos (a maioria muito séria) vão defender com unhas e dentes o procedimento. Alguns mostrarão resultados favoráveis de testes que foram especialmente encomendados. Mas o mecânico deve ficar atento. Atalhos podem levar a situações indesejadas.

 

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