Instrutor técnico da Bosch, Renato Borbon, detalha funcionamento de sistemas manuais e digitais e demonstra testes de sensores e atuadores
por Felipe Salomão fotos Diego Cesilio
Certamente, o diagnóstico do ar-condicionado automotivo vai ganhar destaque nas oficinas neste verão. Por isso, a Revista O Mecânico foi até o Centro de Treinamento da Bosch para mostrar como fazer a manutenção correta nos sistemas digital e manual. Em uma apresentação conduzida por Borbon, o instrutor técnico de treinamento automotivo da Bosch explicou como identificar falhas nos sistemas manual e digital. Ele destacou que, no ar-condicionado mecânico, “todo o acionamento é feito por cabos de aço que movimentam as borboletas dentro da caixa de ar”. Esses cabos conectam diretamente os comandos do painel às portas de mistura e direcionamento do ar. Já no sistema digital, o processo é eletrônico. “Aqui você não vai encontrar cabos. O comando que o motorista faz no painel é enviado para um módulo eletrônico, e esse módulo repassa as ordens para os atuadores elétricos”, afirmou.
Testes de sensores de temperatura
Um dos destaques da apresentação foi o diagnóstico dos sensores de temperatura, essenciais para que o módulo controle a climatização da cabine. Borbon demonstrou o teste de um sensor NTC usando o multímetro. “Se encostar as pontas do multímetro nos pinos, você lê a resistência. Quando aquece o sensor com o dedo, essa resistência precisa cair”, explicou. No exemplo prático, a resistência passou de 8,8 kΩ para menos de 7 kΩ após o aquecimento. Para ele, a variação confirma o funcionamento. “Se a resistência não varia, o sensor ou está danificado ou está fora do padrão”, afirmou.
Além disso, o instrutor técnico da Bosch alertou ainda que a sujeira pode comprometer a leitura. “Inseto e poeira se acumulam no sensor. Se estiver sujo, dá para limpar. Se estiver em curto ou aberto, precisa trocar”, disse.
Diagnóstico dos atuadores da caixa de ar
O instrutor desmontou um atuador para mostrar seu funcionamento. “É um motor elétrico com engrenagens e um sensor de posição”, explicou. No scanner, a leitura do atuador de recirculação iniciou em 212 unidades. Ao acionar o comando no painel, o valor subiu para 815. “Isso mostra que o módulo recebeu o comando e que o atuador respondeu”, destacou. Mesmo assim, Borbon reforça que a análise eletrônica deve ser confirmada visualmente. “O scanner diz que mexeu, mas o mecânico precisa olhar se a borboleta realmente se movimentou”, afirmou.
Sistemas monozona, bizona e quadrizona
Borbon também explicou as diferenças entre sistemas de uma, duas ou quatro zonas. No monozona, há apenas um conjunto principal de misturador e sensores. No bizona, a caixa de ar é dividida internamente, permitindo controle independente para motorista e passageiro. Já o quadrizona adiciona um evaporador traseiro e novos atuadores. “O princípio de diagnóstico é o mesmo, mas a complexidade aumenta conforme o número de zonas”, disse.
Diagnóstico preciso: eletrônica e observação
Ao encerrar a apresentação, Borbon reforçou que a combinação entre scanner e inspeção física continua essencial no diagnóstico do ar-condicionado. “A eletrônica mostra o comando, mas só o mecânico consegue verificar o movimento real. É essa combinação que garante um diagnóstico preciso”, concluiu.







