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Agora certificados pelo Inmetro, esses componentes que fazem parte do sistema de alimentação merecem muita atenção na hora da compra, devido à importância que têm no funcionamento geral do motor do veículo e à influência até mesmo na inspeção ambiental

Carolina Vilanova

Divulgação/ Arquivo

 

Toda atenção é pouca na hora de escolher uma peça para aplicar no veículo do seu cliente, e isso todo bom mecânico sabe. A novidade é que a cada dia mais partes estão entrando na lista dos produtos obrigatoriamente certificados pelo Inmetro, o que é um sinal claro de mais qualidade nos serviços prestados dentro de uma oficina de reparação. Todo bom mecânico sabe também que nem sempre comprando a peça mais barata ele estará sendo beneficiado.

 

“As oficinas mecânicas muitas vezes acabam seguindo as informações do mercado na aquisição de peças, porém, não estão embasadas em questões técnicas, correndo o risco de aplicar um produto de má qualidade só porque o mercado está usando mais uma determinada marca”, alerta José Palacio, auditor do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), que nos ajudou a elaborar essa reportagem.

 

Por isso, mais um item passa a ter certificação compulsória do Inmetro: a bomba de combustível, um item de extrema importância para o funcionamento do motor do carro. Assim, a Portaria 301 do Inmetro, de 21 de julho de 2011, determina que a partir de janeiro de 2013 é proibida a fabricação e a importação dessa autopeça sem que esteja devidamente certificada. Sendo que seis meses depois dessa data, não pode ser mais distribuída e se a loja tem a peça em estoque, pode vender somente até janeiro de 2015.

 

Também pelo fato de existir um elevado número de marcas desse componente, tanto nacionais quanto importadas, foi essencial a criação dessa Portaria, que veio justamente para corrigir as falhas no fornecimento de produtos que não são reconhecidos, mas que algumas oficinas teimam utilizar. “A preocupação do IQA em passar informações para a oficina e para o consumidor é mostrar que a Portaria veio em função da necessidade do mercado de se padronizar alguns produtos automotivos, principalmente, ligados a segurança e meio ambiente”, analisa Palacio.

 

Hoje muitos mecânicos ainda buscam peças com preços menores para aumentar a margem de lucro, mas podem ter problemas sérios de reclamação por parte do cliente, e acabar interferindo na fidelidade dessa relação em função da escolha inadequada de peças aplicadas. “Por isso é importante atentar-se à qualidade dos produtos e aplicar somente os de procedência reconhecida, que a partir de agora, passam pelos ensaios recomendados pelo Inmetro, um certificado de garantia, na verdade”, diz.

 

Mas afinal, o que é uma peça de qualidade reconhecida e o que é um produto de origem duvidosa? Palacio explica que o item reconhecido, ou seja, de boa procedência, é aquele que vem de um fabricante com qualidade e certificado, cuja peça é fabricada atendendo especificações ditas em normas e portarias, e geralmente são homologadas para aplicação diretamente nas montadoras.

 

“O fabricante, principalmente aquele que fornece seu produto às montadoras, tem seu produto avaliado e aprovados por meio de normas e certificados, mas isso não significa que uma peça que não é original da montadora não possa ser de boa qualidade também. No caso das bombas de combustível, por exemplo, se passar nos ensaios do Inmetro e conquistar o certificado, quer dizer que está apta a ser usada sem nenhum problema e com toda a garantia”, afirma o auditor.

 

Já a peça duvidosa é aquela que nem sempre o fabricante utiliza de processos de fabricação com respaldo de uma documentação técnica, muito menos tem o aval de uma montadora. “Não posso dizer que o fabricante que não fornece para montadora tem qualidade reconhecida, mas o que fornece tem obrigação de ter qualidade, com garantia e confiabilidade”.

 

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Por que a bomba?

 

Mas devemos nos perguntar, por que tanta preocupação com a bomba de combustível? Por que exigir uma certificação de um produto aparentemente simples? Fácil, por questões de segurança, afinal, a bomba está instalada dentro do tanque de gasolina, qualquer mau contato ou qualquer problema de fabricação coloca em risco a integridade do veículo e dos ocupantes. Até mesmo porque, se a bomba quebrar, o carro não anda.

 

Os ensaios que são exigidos pelo Inmetro para garantir a qualidade da bomba obedecem aos critérios da Norma ABNT NBR 15754, específica para ciclo Otto. Os ensaios que verificam as principais características que esse produto são: ensaios de variação de temperatura, resistência, desgaste, impacto, combustível, durabilidade, sucção, estanqueidade da válvula de retenção (que mantém o sistema sempre pressurizado), interferência eletromagnética, proteção anti-vazamento e resistência ao desgaste.

 

Assim como outras peças certificadas, a bomba de combustível deve ter gravada no seu corpo o símbolo do Inmetro de forma clara, indelével e não violável, impresso em baixo ou alto relevo contendo, ainda o número de registro.

 

“Em primeiro lugar, a bomba logicamente está determinada para que funcione com combustível de qualidade reconhecida, e o mecânico tem que passar essas informações para o cliente. Além disso, a bomba inadequada traz riscos para outros componentes e para o funcionamento do motor de um modo geral, podendo ainda causar um problema de pane elétrica, por conta da tensão inadequada, pode afetar sensores elétricos do sistema de injeção, entre outros problemas”, cita Palacio.

 

Uma bomba de má qualidade traz ainda outros riscos para a oficina e para o cliente, podendo interferir, inclusive, no resultado final de emissão de poluentes, devido à má qualidade de funcionamento e por falta de pressão exata no sistema como um todo, levando os gases para níveis fora dos recomendados pelo Conama, sujeito a ser reprovado na inspeção ambiental.

 

Ainda o teste de resistência à sobretensão por curto e longo período, somado à sensibilidade à inversão de polaridade, pode causar problemas no sistema elétrico do veículo, pois se tiver variação de polaridade além do especificado, o comando elétrico do veículo pode ser prejudicado.

 

De acordo com a orientação dos fabricantes, não se recomenda o recondicionamento da bomba elétrica, pois há peças hermeticamente lacradas na fabricação que dificilmente consegue-se lacrar novamente. “Porém, de acordo com o regulamento do Inmetro, se a peça recondicionada atender a todas as exigências dos ensaios, pode ser usada”, alerta o auditor.

 
Existe ainda o impacto ambiental na destinação final do produto, que deve ser feita de maneira correta, levando em consideração as muitas resoluções existentes sobre destinação de resíduos sólidos, pois é um produto perigoso que tem que ser neutralizado antes de descartar. Podemos citar a Norma NBR 10004 de 11/2004 que estabelece a classificação dos resíduos e o seu grau de periculosidade. ABLP – Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública relaciona uma série de resoluções com o tipo de resíduo especifico, cada uma dessa resolução determina o procedimento correto para o descarte.

 

ale lembrar que o IQA, um organismo acreditado pelo Inmetro para certificação desse componente, tem o papel fundamental não apenas na certificação, mas na orientação do mercado e das empresas sobre as adequações necessárias desse processo. Quem quiser mais informações, pode entrar em contato pelo site: www.iqa.org.br.

 

A preocupação do IQA é mostrar para a oficina e o consumidor que essa Portaria veio em função da necessidade do mercado em relação a produtos ligados a segurança e meio ambiente. “Alertar o mecânico para a questão da bomba de gasolina certificada é assegurar que o cliente final vai ficar satisfeito com o resultado final”, complementa Palácio.