Instituto Combustível Legal aponta crescimento das fraudes em períodos de maior consumo e reforça que irregularidades afetam diretamente sistemas de injeção, desempenho e durabilidade dos motores
O aumento do fluxo de veículos durante o Carnaval também eleva a incidência de problemas relacionados à qualidade e à quantidade dos combustíveis comercializados no país. O Instituto Combustível Legal – ICL alerta que as fraudes ainda são recorrentes no mercado brasileiro e podem provocar falhas mecânicas, contaminação de sistemas e até a paralisação completa do veículo, cenário que deve impactar diretamente o volume de atendimentos nas oficinas na conhecida quarta-feira de cinzas.
Irregularidades atingem qualidade e quantidade
Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que entre 15% e 20% dos postos fiscalizados apresentaram algum tipo de irregularidade relacionada à qualidade e/ou à quantidade dos combustíveis.
Entre os principais problemas identificados estão gasolina adulterada com solventes, excesso de etanol anidro acima do limite legal, etanol hidratado com alto teor de água e diesel contaminado ou fora do padrão de destilação. Também foram registradas fraudes de quantidade, com uso de dispositivos eletrônicos (“chips”) instalados nas bombas para fornecer volume inferior ao indicado.
Em alguns casos, segundo o setor, as fraudes podem chegar a 10% do volume abastecido, o equivalente a 5 litros a menos em um tanque de 50 litros.
Impacto direto nas oficinas
Para o mecânico, os reflexos aparecem rapidamente: falhas de combustão, aumento de consumo, perda de potência, contaminação de bicos injetores, danos à bomba de combustível e comprometimento do sistema de pós-tratamento. Além disso, o ICL também destaca que irregularidades geram concorrência desleal no setor e prejuízos fiscais, além de impactar diretamente o consumidor final.
“O Carnaval é um período crítico porque o motorista muitas vezes abastece em postos que não frequenta no dia a dia, em rodovias ou cidades turísticas, e nem sempre tem referências sobre a procedência do combustível e a idoneidade do posto”, afirma Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal. “Combustível adulterado pode provocar falhas no motor, perda de potência, aumento de consumo e até a parada total do veículo, transformando um momento de lazer em um grande problema.”
Orientação técnica e prevenção
A entidade recomenda que motoristas priorizem postos conhecidos, desconfiem de preços muito abaixo da média regional, acompanhem o abastecimento, verifiquem se a bomba foi zerada e guardem o comprovante fiscal.
“O planejamento e conhecimento do seu veículo são essenciais. Revisão do veículo, abastecer com antecedência, observar o histórico do posto e desconfiar de vantagens excessivas são atitudes que protegem o bolso e o veículo”, reforça Kapaz. “O consumidor atento é um aliado importante no combate às fraudes.”
Caso o veículo apresente sintomas como dificuldade de partida, engasgos, perda de desempenho ou aumento anormal de consumo após o abastecimento, a recomendação é interromper o uso, realizar diagnóstico técnico e registrar denúncia junto à ANP ou aos órgãos de defesa do consumidor.
Em períodos de alta demanda como o Carnaval, a atenção à procedência do combustível pode evitar panes, retrabalho nas oficinas e danos mais severos aos sistemas de alimentação e injeção eletrônica.







