Bolívia assume produção e venda de gás e de petróleo

A Bolívia assumiu ontem (02/05) o controle total da produção e comercialização do gás natural e do petróleo, após formalização protoclar de 44 contratos de produção em uma cerimônia no palácio Quemado, local onde o presidente Evo Morales pediu às multinacionais que acelerem os investimentos nas jazidas de gás natural.

O presidente boliviano solicitou às empresas transnacionais, a partir de agora sócias da empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) uma intensificação dos investimentos com os quais se comprometeram nos contratos de exploração que entraram em vigor.

De acordo com o professor de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, José Alexandre Altahyde Hage, os pronunciamentos do presidente Evo Morales, divulgados pela imprensa brasileira, marca o fato de que o governo brasileiro não tem claro qual deve ser a ação a ser tomada sobre a nacionalização dos hidrocarbonetos pela Bolívia, em maio do ano passado.

Para ele, a falta de direção apresentada pelo governo brasileiro não é algo recente. O governo Lula tem as responsabilidades pertencentes ao seu período, de não ter claro qual deve ser a política brasileira para a Bolívia. No entanto, a falta de melhor projeto com respeito à energia, bem como à política externa brasileira para a América do Sul, vem desde o governo de Fernando Henrique Cadoso.

Em 1996 o governo do PSDB assinou o Tratado de La Paz concordando com a compra do gás natural boliviano, mas sem o necessário estudo de cenários políticos sobre os riscos e crises que poderiam apresentar à Bolívia em virtude de suas manifestações e movimentos sociais bastante ativos contra empresas internacionais, sobretudo as mineradoras e petroleiras.

Desta maneira, Hage conclui que os contratempos advindos da questão energética do gás natural iniciaram há mais de dez anos por falta de políticas apropriadas no âmbito doméstico e internacional.

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