Por: Fernando Landulfo

 

No passado essa era uma dúvida que praticamente não existia entre os mecânicos. Exceto aqueles que trabalhavam com preparações esportivas. Afinal de contas, praticamente não existiam opções. Era o genuíno e o original de um ou de outro fabricante. A performance era praticamente a mesma. Amortecedores com características especiais (mais esportivos) tinham que ser encomendados a especialistas ou importados a “preço de ouro”.

 

Mas as coisas mudam, não é mesmo?

 

Atualmente podem ser encontrados no mercado vários tipos de amortecedor para um determinado modelo de veículo. As principais diferenças residem na construção interna (hidráulico/convencional ou pressurizado) e no grau de amortecimento proporcionado pelo componente.

A diferença entre um amortecedor convencional e um pressurizado, há muito tempo, não é mais segredo.

No interior do amortecedor convencional tem-se dois tubos: reservatório e de pressão. O conjunto é abastecido com um lubrificante especial e ar. O seu funcionamento se dá pelo movimento de um êmbolo no interior do tubo de pressão e pela passagem do lubrificante de um tubo para o outro. Geralmente oferecem bom controle de movimento à compressão e excelente nível de conforto. Durante o funcionamento intenso, o ar tende a se misturar com o lubrificante, formando bolhas (cavitação), o que diminui a eficiência do conjunto. A mistura do lubrificante com o oxigênio do ar tende a provocar corrosões internas e diminuição da vida útil do amortecedor.

 

 

Já no conjunto pressurizado, o ar é substituído por nitrogênio a baixa pressão. Devido à flexibilidade do selo, a pressão do gás é mantida apenas no tubo reservatório. Oferecem rodagem confortável e elevado nível de estabilidade. O nitrogênio pressurizado evita a ocorrência da cavitação, facilita a preparação para a instalação (não é preciso escorvar), além de proporcionar uma ação mais rápida e constante do conjunto.

É claro que o segundo leva vantagem técnica sobre o primeiro. No entanto, são mais caros e nem sempre estão disponíveis a todos os modelos de veículos.

 

 

 

 

Existem também os amortecedores esportivos, com maior grau de amortecimento e curso adequados a situações especiais. E vamos grifar duas vezes a expressão: situações especiais (pista de corrida). Mas isso o Guerreiro das Oficinas já sabe “de cor e salteado”.

 

 

Mas, então, no que o mecânico precisa dar uma atenção especial?

 

1. Aos diferentes modelos de amortecedores estruturais (aqueles que formam a coluna McPherson.)

Diferentes versões de um mesmo modelo de veículo (motorização, presença de acessórios, esportividade etc.) podem exigir amortecedores com cargas diferenciadas, além de fazerem uso de ângulos de alinhamento de rodas (câmber, cáster etc.) distintos. Como alguns desses ângulos estão diretamente ligados a estrutura da coluna McPherson, é preciso cuidado na hora de selecionar a peça correta para o veículo. Um engano pode fazer com que o veículo não aceite os ângulos de alinhamento recomendados.

 

 

2. Qualidade dos produtos

É preciso estar atento a produtos falsificados e/ou muito baratos. Peças muito baratas podem ser falsificadas ou até podem ser produzidas por fabricantes idôneos porém desconhecidos, e que podem ter qualidade inferior (risco a segurança e a qualidade do serviço) e não oferecer garantia. O mesmo pode se dizer com relação a peças recondicionadas, nessa hora, é melhor não bobear.