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peças falsificadas

Instalar peças falsificadas no veículo do cliente, além de incentivar a ilegalidade, é dor de cabeça na certa; confira dicas para não cair nessa cilada

Frustração por não exibir um relógio caro, uma roupa, ou acessório de marca famosa só sofre quem quer. O mesmo vale para ter em casa um programa de computador sofisticado ou assistir um filme que ainda nem está em cartaz nos cinemas. Basta dar uma voltinha pelas ruas do comércio popular para encontrar todos esses artigos a um precinho “bem camarada”.

Pois é, não é de hoje que se falsifica de tudo. Desde cerveja (o YouTube tem vídeos de uma fábrica de “fundo de quintal” envasando uma cerveja famosa) até artigos de alto luxo, passando pelos combustíveis.

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E muito se engana que só o “povão” é consumidor desse tipo de produto. Muitos ricaços (ou metidos a) também fazem uso dos artigos “fake”. Uns espontaneamente, como um famoso estilista já falecido, que declarou publicamente que possuía uma ou duas unidades “fake” de uma bolsa de uma grife famosa – e que as utilizava sem receio, pois ninguém se atrevia a questionar a originalidade delas.

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Outros, devido à soberba própria e à cara de pau dos falsificadores, pagavam verdadeiras fortunas, em lojas sofisticadas, por produtos falsos. Sim, foi um verdadeiro escândalo, amplamente divulgado pela imprensa na época, que envolveu o nome de uma famosa apresentadora da televisão.

E o atrevimento dos criminosos vai ainda mais longe. Cópias de relógios famosos são oferecidas abertamente nas redes sociais a preços irrisórios. Agora, se o que é entregue ao comprador é aquilo que foi exibido, não dá para saber. E quem é que vai às autoridades de consumo reclamar que a cópia entregue não tem qualidade? Acredito que ninguém.

Não é de hoje que se falsifica de tudo. E aqueles que consomem esse tipo de produto mal sabem o quanto prejudicam a si próprios, como a sociedade como um todo. Aquela velha desculpa de que “eles já tem muito lucro” não serve mais pois, na verdade, nesse tipo de relação, todo mundo perde.

peças falsificadasAfinal de contas, o falsificador não paga impostos, não paga encargos sociais, paga mal os seus funcionários, não investe em pesquisa e desenvolvimento, não preza pela qualidade do que produz (ou vende) e não oferece garantia. Ele só pensa em uma coisa: no lucro próprio.

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Logo, incentivar esse tipo de mercado, através do consumo (por mais tentador que seja) não pode ser considerado uma atitude das mais inteligentes. E dependendo da atividade exercida pelo adquirente: irresponsabilidade. Além disso, a “esperteza” pode custar caro para quem compra, pois a aquisição de produtos “piratas”, de acordo com algumas linhas de pensamento do direito, pode ser enquadrada como crime de receptação.

Pior ainda é quando a falsificação atinge produtos considerados de “segurança” como: alimentos, bebidas, combustíveis de aviação, medicamentos e, por que não, as autopeças. Sim, as autopeças são itens de segurança.

Tanto dos ocupantes dos veículos quanto daqueles que estão em volta. E o mercado está repleto de peças falsificadas. Principalmente as genuínas e originais (marca da montadora do veículo e dos sistemistas). Os preços bem mais baixos que os praticados pelas concessionárias e a disponibilidade imediata, muitas vezes, são bastante tentadores.

Mas é preciso ter a cabeça fria e os pés no chão. Ainda mais porque estamos falando de cópias muito parecidas com os produtos originais. Sobretudo as embalagens. Muitas vezes é preciso olhar com muita atenção para detectar a falsificação. Sim, os criminosos se esperam na aparência, mas a qualidade… Bem, aí já é outra história.

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Instalar uma dessas falsificações no veículo de um cliente é pura irresponsabilidade. Pois, se algo (acidente, assalto por conta de pane etc.) acontecer por conta desse componente, a consequência será dolorosa… O que se ganhou com a compra da peça vai se perder em dobro com honorários de advogado, custas processuais, honorário de perito e indenizações no caso de condenação. Isso fora a perda da reputação, que se espalha “bem rapidinho”.

Mas é claro que o verdadeiro “Guerreiro das Oficinas” não passa por esse tipo de situação. De forma alguma. Pelo menos não de forma intencional.

MAS COMO DIFERENCIAR UMA PEÇA PIRATA DE UMA ORIGINAL?

Bem, receita mágica não existe. Se a falsificação for “bem feita”, não é fácil o trabalho de reconhecê-la. Apenas os olhos atentos de quem conhece o produto conseguem identificar sem um exame mais aprofundado em laboratório. Muitas dessas cópias são feitas por técnicos treinados a partir de engenharia reversa sobre o produto original, o que dificulta muito a identificação.

A diferença está nos detalhes. Detalhes que o fabricante do item original conhece. Na dúvida, contate-os. Eles ficarão felizes em te ajudar a identificar uma falsificação, pode ter certeza. É interesse deles.

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A indústria também tem feito sua lição de casa, aperfeiçoando os seus mecanismos de segurança: QR codes, selos holográficos, padrões etc. Contudo, é preciso ter em mente que isso apenas dificulta temporariamente a ação dos criminosos. “Cada vez que a indústria constrói uma ratoeira melhor, a pirataria constrói um rato melhor”. É uma luta sem fim – pelo menos, por enquanto.

É nesse ponto que a parceria com os fabricantes pode ajudar muito, pois, eles podem dar “dicas” importantes sobre a identificação dos seus produtos. Outro ponto importante é a procedência.

Desconfiar de preços muito baixos e “conversa fiada” de “vendedor de tapete voador” é o primeiro passo. Peça só se compra de distribuidor ou comerciante com nota fiscal. E muito bem redigida, com a descrição completa dos produtos. E, mesmo assim, faça a verificação de segurança. O comerciante que vendeu para a oficina pode ter sido enganado.

Arquivar, mesmo que digitalmente, a nota fiscal de compra, a embalagem e a ordem de serviço onde a peça foi aplicada, são outras boas práticas. Isso sem falar das obrigações fiscais.

A pirataria vai desaparecer? Não por enquanto. Então é preciso saber conviver com ela, mantendo uma boa distância. Pequenas atitudes como as descritas, apesar de aparentemente trabalhosas, podem poupar o mecânico de boas dores de cabeça e preservar a sua boa reputação.

Artigo por Fernando Landulfo