Válvula sensível à carga: por que não deve ser eliminada do sistema de freio?

Componente equilibra a pressão entre os eixos e evita perda de estabilidade em frenagens com o veículo descarregado 

texto Felipe Salomão   fotos Controil 

Durante visita à fábrica da Controil, no Rio Grande do Sul, Vagner Marchiniak, Consultor de Marketing de Produto, explicou o funcionamento da válvula sensível à carga, também conhecida como equalizadora ou distribuidora de frenagem. O especialista alertou sobre os riscos da eliminação da peça e comentou práticas incorretas encontradas no mercado durante a manutenção. 

“Ela faz um balanceamento da pressão de freio entre as rodas traseiras e dianteiras. Isso mantém o veículo com o freio equilibrado, tanto na frenagem da parte dianteira quanto da traseira”, explica Marchiniak. Ainda segundo ele, a válvula recebe a pressão gerada pelo cilindro mestre e modula a saída para o eixo traseiro conforme a carga do veículo. 

“Quando o veículo está descarregado, ele não necessita de pressão máxima no eixo traseiro. A válvula reduz essa pressão. Conforme aumenta a carga, a alavanca conectada à suspensão permite maior passagem do fluido para as rodas traseiras”, afirma. 

Por que não se deve remover a válvula? 

O especialista alerta que a eliminação da válvula compromete a segurança. “No momento em que o mecânico elimina essa válvula, ele passa a ter freio com pressão máxima nas rodas traseiras mesmo com o veículo descarregado. O comportamento é semelhante a puxar o freio de estacionamento em uma frenagem brusca. O veículo pode perder estabilidade e rodar”, destaca. 

Marchiniak observa que a prática de remover o componente ocorre, em alguns casos, por escassez de fabricantes no mercado, mas não deve ser adotada. “Isso não justifica eliminar a válvula do circuito. Ela é necessária para veículos que não possuem distribuição eletrônica de frenagem”, pontua. 

Outra prática identificada é a substituição por válvulas de corte fixo. “Alguns utilizam válvulas de corte fixo como alternativa. O problema é que elas não modulam conforme a carga. Trabalham com valor fixo e podem prejudicar a frenagem tanto com o veículo carregado quanto descarregado”, explica. 

Como fazer a manutenção correta 

Sobre a manutenção, o consultor orienta a substituição completa do componente. “O produto é intercambiável com a peça original e já vem com ajuste de fábrica. Não é necessário regulagem adicional. O ideal é substituir a válvula inteira”, afirma. 

Entre os modelos que utilizam a válvula sensível à carga estão veículos como Renault Logan, Renault Sandero, Volkswagen Saveiro, Fiat Strada, Fiat Fiorino, Toyota Hilux e Chevrolet S10, além de outros modelos da frota nacional. 

De acordo com Marchiniak, a durabilidade estimada da válvula gira em torno de 100 mil a 120 mil quilômetros, mas pode variar conforme o uso e as condições de rodagem. “A durabilidade depende do pavimento, do tipo de uso e da manutenção preventiva. Como se trata de um componente hidráulico, a contaminação do fluido de freio é um fator crítico. Se não houver troca adequada do fluido, todo o sistema hidráulico pode ser comprometido, inclusive a válvula”, conclui. 

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