A transição energética no transporte coletivo brasileiro avança com foco em soluções tecnicamente aplicáveis e financeiramente sustentáveis. Em debate promovido pelo Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados, especialistas e operadores avaliaram o papel do biometano como combustível viável para reduzir emissões sem comprometer a operação dos sistemas urbanos.
O encontro, realizado no Habitat Mobilidade da FIEP, reuniu representantes da indústria, gestores públicos e operadores para discutir rotas energéticas alinhadas à realidade das cidades brasileiras — onde custo, infraestrutura e escala ainda são fatores determinantes.
Viabilidade depende de custo, infraestrutura e escala
Na prática, o biometano se posiciona como uma alternativa intermediária entre o diesel e a eletrificação total. Produzido a partir de resíduos orgânicos, o combustível permite reduzir emissões de CO₂ e poluentes locais, além de apresentar potencial de menor custo operacional em comparação ao diesel, dependendo da cadeia de produção e distribuição.
Segundo Fábio Alexandre Siebert, a adoção do biometano exige integração entre mobilidade, saneamento e gestão de resíduos. Já Marcello Lauer destaca que a viabilidade está diretamente ligada a decisões baseadas em dados — fator crítico para evitar investimentos de alto custo com baixo retorno operacional.
Aplicação prática: ônibus a biometano
Durante o evento, a Agrale apresentou um ônibus movido a biometano, tecnologia já em uso experimental no país. Modelos como o MA 11.0 operam com menor nível de ruído e podem reduzir significativamente as emissões quando comparados ao diesel.
Para Edson Ares Sixto Martins, o biometano não deve ser visto como solução única, mas como parte de um mix energético. A vantagem estratégica está na possibilidade de aproveitar resíduos urbanos para geração de combustível, criando um ciclo mais eficiente e sustentável.
Desafios operacionais ainda limitam expansão
Do lado dos operadores, a viabilidade depende de fatores práticos. Sueli Gulin Calabrese ressalta que a transição energética vai além da troca de veículos: exige adaptação de garagens, logística de abastecimento e treinamento técnico.
A experiência recente com ônibus elétricos em Curitiba reforça esse ponto — novas tecnologias demandam investimentos relevantes em infraestrutura e ajustes operacionais, o que tende a tornar o processo gradual.
Onde o biometano se encaixa
No cenário atual, o biometano surge como uma solução viável especialmente para cidades que:
- já possuem ou podem desenvolver cadeia de produção de resíduos
- buscam redução de emissões com menor investimento inicial que a eletrificação
- precisam manter autonomia operacional semelhante ao diesel
- enfrentam limitações na infraestrutura elétrica
