Texto: Marcos Camargo Jr.
A Caoa avançou na reconfiguração industrial da unidade de Anápolis (GO) com a ampliação da área produtiva para 208,4 mil m² e a implantação de uma nova linha dedicada à marca Changan. O investimento total no complexo chega a R$ 8 bilhões, considerando aportes iniciados em 2023 e a expansão recente.
A operação passa a funcionar em regime multimarca, com linhas independentes para Caoa Chery e Caoa Changan, compartilhando infraestrutura industrial e logística.

Ampliação física e capacidade produtiva
A área produtiva da planta evoluiu de 117,2 mil m² em 2023 para 208,4 mil m², acompanhando a expansão da capacidade instalada, que passou de 80 mil para 160 mil veículos/ano, com operação prevista em três turnos.
O aumento de escala exigiu reforço na estrutura fabril e no quadro de pessoal. Nos colaboradores a indústria passou de 2.040 para 7.612 (+273%), robôs industriais agora são 209 (+497%) que fazem 355 tarefas automatizadas.
O nível de automação foi ampliado principalmente nas áreas de carroceria e montagem, com foco em padronização de processo e ganho de produtividade.
Processos industriais e soldagem
Entre os destaques técnicos da expansão está a adoção de solda a laser na linha de carroceria, tecnologia ainda pouco difundida no parque automotivo nacional.
O processo permite maior precisão dimensional, redução de deformações térmicas, melhor acabamento estrutural e aumento da rigidez do conjunto.
A planta também passou por atualização das células robotizadas, integração de novos sistemas de controle de qualidade e adequação para diferentes arquiteturas veiculares.
Plataforma multimarca e eletrificação
Com a entrada da Changan, a unidade foi adaptada para operar com diferentes plataformas, incluindo preparação para veículos eletrificados (HEV e PHEV).
A nova fase industrial foi viabilizada após o anúncio da parceria com a Changan, formalizado no Salão do Automóvel de 2025. A partir disso, a marca passou a adotar produção local em substituição ao modelo anterior baseado em importações.
O primeiro produto da nova linha é o Uni-T, SUV médio equipado com motor 1.5 turbo flex, utilizado como base inicial de volume e adaptação ao mercado brasileiro.

A segunda fase da operação prevê a introdução de versões híbridas (HEV) e híbridas plug-in (PHEV)
Esses modelos exigem ajustes adicionais na linha produtiva, especialmente em integração de sistemas elétricos e gerenciamento térmico.
A reestruturação da planta foi viabilizada após o encerramento da produção de modelos Hyundai em 2025, liberando capacidade e permitindo a reorganização do layout fabril para a nova estratégia multimarca.


