Raio X

Hyundai Creta desvendado

Com reparação bem simples, o SUV compacto Creta surpreendeu os mecânicos

 

texto Raíssa Jorgenfelth e Leonardo Barboza   fotos Raíssa Jorgenfelth

Levamos o Hyundai Creta 2017 para análise na oficina Doctor American Car e descobrimos que a sua reparação pode ser bastante simples. O profissional Sandro dos Santos, mecânico e proprietário da oficina, ficou bastante surpreso com a facilidade de acesso aos componentes do Creta 2.0 AT6 Prestige.
Lançado no começo de 2017, o Creta chegou como forte concorrente de modelos consagrados ocupando 3° lugar em vendas entre os SUV’s e o 4° lugar no geral da categoria com 28.335 unidades emplacadas até setembro, de acordo com o ranking acumulado do ano da Fenabrave. Os três primeiros colocados da categoria geral são Honda HR-V, Jeep Compass e Renegade, respectivamente.

 

 

 

O SUV coreano é produzido na mesma fábrica onde é montado o HB20 em Piracicaba/SP e compartilha a mesma plataforma do Elantra. Todas as suas configurações incluem de série sistema de parada e partida automática, monitoramento de pressão dos pneus e direção com assistência elêtrica.

 

Motor

 

 

Suas versões, no entanto, são um pouco mais diversificadas. A opção de entrada com motor 1.6 tem dois tipos de acabamento: Attitude (R$ 74.990,00) e Pulse (R$ 79.790,00). A versão intermediária com motor 1.6 e câmbio automático também oferece dois tipos de acabamento, Pulse (R$ 86.740,00) e Pulse Plus (R$ 89.990,00) enquanto a versão top de linha com motor 2.0 e câmbio automático é a Prestige (R$ 100.990,00). Tanto o câmbio manual quanto o automático são de seis marchas.

Logo de cara, o Creta mostrou seu potencial de competitividade com motor dianteiro, transversal de 4 cilindros em linha e 16V em duas opções: Gamma 1.6 (manual e automático) que entrega 130 cv de potência a 6.000 rpm e torque de 16,5 kgfm a 4.500 e NU 2.0 de 166 cv a 6.200 rpm e 20,5 kgfm a 4.700 rpm. Ambos os motores são flex e têm tecnologias que prometem melhorar o desempenho, como sistema de partida a frio e-start, bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando variável de válvulas (D-CVVT) para admissão e escape, coletor de admissão variável (VIS) e duplo comando no cabeçote (DOHC).

Por dentro do capô

 

 

 

 

 

De acordo com o mecânico Sandro dos Santos, é fácil ter acesso aos componentes do sistema de arrefecimento, como radiador, reservatório e eletroventilador. Todas as abraçadeiras das mangueiras são de pressão. Já a bomba d’água fica fora do sistema de sincronismo convencional e é acionada pela correia de acessórios. Está localizada logo embaixo do alternador, um pouco mais trabalhosa de se alcançar, mas sem complexidade.
O especialista explica que tanto o compressor do ar-condicionado quanto o filtro de cabine estão bem localizados para reparo, assim como os principais componentes eletrônicos: motor de arranque, módulo de injeção eletrônica, alternador e bateria.
O sistema de injeção eletrônica também está bem acessível, assim como os sensores de oxigênio. Ao remover a mangueira de admissão do ar, tem-se acesso ao corpo de borboleta. A flauta dos bicos injetores é fixada com apenas dois parafusos sextavados. Os sensores dos comandos variáveis, de rotação e válvula solenoide de controle de pressão de óleo do cabeçote também estão bem acessíveis.
Já as lanternas traseiras e dianteiras têm bom espaço para as mãos caso seja necessário trocar as respectivas lâmpadas.
A transmissão automática de 6 velocidades possui acesso bem facilitado para manutenção e troca do fluido da caixa. Seus semieixos são encaixados e podem ser retirados através de uma espátula. Sandro aponta que somente o coxim superior do câmbio fica um pouco mais escondido.
O sistema de exaustão é dividido em três partes, o que facilita bastante a manutenção e a troca da tubulação. O protetor de motor e transmissão é totalmente de plástico, fixado por 6 parafusos sextavados e presilhas de plástico.

 

 

Freios

Os freios são a disco ventilado na dianteira e tambor na traseira. As rodas são de liga leve 16” e são equipadas com pneus 205/65 nas versões 1.6 manual e 17” no automático e 2.0 que conta com pneus 215/60.
Quanto à manutenção, o acesso aos freios dianteiros e traseiros é bastante simples, e não necessita de ferramentas especiais. Mas Sandro ressalta que o sensor do freio ABS vem junto com o cubo de roda, o que dificulta um pouco o acesso. Já a bomba do ABS está próxima ao painel corta-fogo do motor. Vale lembrar que esse componente é responsável também pelo controle de estabilidade e sistema de auxílio de partida em rampas.

 

 

 

Suspensão

A suspensão é independente McPherson na dianteira e eixo torção na traseira. Sua reparação, segundo Sandro, é muito simples e rápida, como quase tudo nesse carro, e não requer nenhuma ferramenta especial.
A barra estabilizadora possui bieletas de ferro mais resistentes, mas um fato que chama a atenção é que a barra está soldada dentro do eixo e as buchas são fixadas próximas à carroceria, o que dificulta o acesso. Por isso, no caso de reparo, o ideal é soltar o subchassi (ou quadro de suspensão) para encaixar a ferramenta na fixação da bucha da barra estabilizadora. As buchas traseiras não sofrem deste problema, e são simples de consertar.

 

FICHA TÉCNICA
Hyundai Creta Prestige 2.0 AT

 

Motor

Posição: Dianteiro transversal, Gasolina/ Etanol
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 16V
Taxa de compressão: 12,1:1
Injeção de combustível: Injeção eletrônica multiponto
Potência: 166 cv (A) a 6200 rpm
156 cv (G) a 6200 rpm
Torque: 20,5 kgfm (A) a 4700 rpm
19,1 kgfm (G) a 4700 rpm

Câmbio

Automático de seis marchas

Freios

Dianteiros: Disco ventilado
Traseiros: Tambor

Suspensão
Dianteira: McPherson independente
Traseira: Eixo de torção

Rodas e pneus
Rodas: Liga leve, 17 polegadas
Pneus: 215/60 R17

Dimensões
Comprimento: 4270 mm
Largura: 1780 mm
Altura: 1635 mm
Entre-eixos: 2590 mm

Capacidades:
Tanque: 55 litros
Porta-malas: 431 litros