Qualidade em Série

 

Mecânicos são patrimônio da oficina

Como em qualquer empresa, é essencial para a oficina mecânica investir em Recursos Humanos, contratar os profissionais certos e retê-los: confira dicas básicas de como estruturar o RH da sua empresa de reparação

por Fernando Lalli    fotos Arquivo

 

Independentemente das mudanças nas leis trabalhistas, o modo como a oficina trata de seus funcionários e/ou colaboradores eventuais faz toda a diferença na durabilidade do negócio. Isso inclui não só o respeito ao indivíduo, mas também saber encontrar a pessoa certa para a função certa, além de manter aquele profissional treinado, atualizado e preparado para executar seu trabalho.
Por outro lado, há muito tempo se escuta falar que o setor de manutenção automobilística sofre com a falta de mão de obra. Isso é decorrente de alguns fatores – um deles é a evolução do mercado de trabalho, no qual aquelas atividades manuais são abdicadas pelos jovens em detrimento de novas profissões criadas pela evolução da tecnologia, que demandam menos esforço físico. Assim, profissões como mecânico, eletricista, funileiro e pintor de veículos sofrem com a falta da renovação.
Outro fator é que muitas empresas de manutenção automotiva ainda não investem o suficiente em gestão de pessoas. Saber como preservar o funcionário e como se relacionar com esse profissional é imperativo para evitar que ele se desligue da empresa.
Diante dessa dificuldade de achar profissionais, sejam recém-formados ou devidamente capacitados – e principalmente para conseguir reter os funcionários dentro da empresa –, é fundamental que a oficina tenha uma área de Recursos Humanos minimamente estruturada, seja interna ou terceirizada.

 

Medidas necessárias


O gerente de Serviços do IQA, Sérgio Ricardo Fabiano, cita pontos básicos que a oficina mecânica deve investir para se tornar uma empresa de reparação automotiva profissionalizada. Um deles é ter o controle efetivo das funções e informações dos funcionários, algo que muitas oficinas deixam de lado. Tenha uma pasta com o registro de todas as informações do período que o profissional passou ou passa dentro da empresa.

 

 

 

 

“A pasta deve conter o arquivo de todas as informações do funcionário, como sua descrição de cargo e salário, descrição de funções quando ele é contratado, exames médicos admissional, periódicos, demissional e, se houver, os exames para atividades especificas”, aconselha Sérgio. “Acontece por vezes que, quando o funcionário é contratado para fazer determinada atividade, ele acaba desempenhando outras funções. Isso gera insatisfação entre empregado e empregador”, conta.
Dentro desses registros, possua também o controle da entrega dos EPIs a cada funcionário. É importante tanto para a segurança dos profissionais, que a oficina é obrigada a garantir, quanto para questões trabalhistas.
Falando em segurança, outro ponto que Sérgio levanta é a necessidade da implementação do PPRA (Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais, que levanta o mapa de risco das atividades que causam maior impacto e levanta quais os equipamentos de proteção são necessários) e do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, que trata dos exames médicos e respectivas periodicidades), que devem ser atualizados anualmente. Esses serviços podem ser contratados pela oficina com ajuda das entidades do setor de reparação, afirma o especialista do IQA.

 

Crescimento profissional

Quando a oficina tem poucos funcionários, implementar uma política de plano de carreira fica mais difícil. Mas o colaborador deve ter uma visão clara, correspondente à função que ele exerce, do que ele precisa para crescer dentro da oficina. Por exemplo, para a função de mecânico, pode existir a seguinte gradação: estagiário, oficial, oficial completo, cada uma com suas atribuições. Essa “escada” de descrição de funções do plano de carreira deve corresponder à estabelecida em sua contratação. O plano de carreira deve se aplicar não só à área técnica como também a administrativa.
Além de estabelecer as funções de forma clara, os colaboradores devem ser devidamente treinados para cumprir suas responsabilidades. “Estabelecer um programa de treinamento mostra a importância do profissional dentro da empresa. Quando a empresa paga por um treinamento presencial ou à distância, ou pela ida a uma palestra, mostra que ela valoriza e se importa com a capacitação daquele profissional. Isso melhora a visão da empresa pelo funcionário”, declara Sérgio.

 

 

 

 

Atividades de relacionamento

Pequenas atitudes podem fazer a diferença no relacionamento da empresa com os colaboradores. Ações de lembrança aos aniversariantes do mês, uma reunião de funcionários que periodicamente envolva celebração, enfim, promover eventos motivacionais que façam a interação do funcionário com a empresa e que se traduzem em um melhor relacionamento entre diretoria e colaboradores.
A melhoria do ambiente de trabalho em si, aliás, deve ser uma cultura, e passa pelo conceito de trabalho em equipe. Evite definir arbitrariamente a solução dos problemas: estimule a participação dos funcionários para encontrar os melhores caminhos para superar as adversidades. Todo esse trabalho de relacionamento passa pela atribuição correta de funções, estrutura de trabalho adequada, planejamento do negócio, e culmina naquilo que é o objetivo básico de todo estabelecimento de manutenção automobilística: maior produtividade e qualidade do serviço prestado ao cliente final.
“A oficina precisa ficar atenta às novidades, não só na área técnica automobilística como também na gestão da empresa. Uma das novidades é o conjunto de novas leis do trabalho, que influencia diretamente no RH e, na minha opinião, vai ajudar bastante as oficinas a trabalharem dentro da legalidade. O proprietário ou gestor da oficina tem que estar ciente de todos esses acontecimentos”, finaliza o especialista do IQA.