Raio X

Coração novo

 

Peugeot 208 e Citroën C3 receberam motor 1.2 com 3 cilindros. A mudança deixou os modelos mais fáceis para reparar

Por: Edison Ragassi
Fotos: Fernando Lalli

 

Em abril de 2016 a Peugeot passou a oferecer o compacto Premium 208 com motor 1.2 Pure Tech Flex, de três cilindros de 90 cv (E)/84 (G) a 5.750 rpm e torque de13,0 kgfm (E)/ 12,2 kgfm (G) a 2.750 rpm. O câmbio é manual de cinco marchas. Motor global do Grupo PSA Peugeot Citroën, não demorou muito, em junho de 2016, o três-cilindros foi integrado ao também compacto Premium Citroën C3, afinal os dois carros são fabricados na mesma arquitetura e embaixo do mesmo teto na fábrica de Porto Real/RJ. Ele manteve a mesma potência e torque. Nas condições de reparo, esta mudança de motor foi benéfica para os dois veículos. Apesar de ser mais moderno e com tecnologia de última geração, é mais fácil de entender. Os acessos foram simplificados e, por ser menor, sobra mais espaço no cofre do motor.

 

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Para mostrar quais as diferenças e semelhanças deste motor em carros com carrocerias diferentes, levamos ambos até a Megacar Centro Técnico Automotivo, oficina localizada no bairro de Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo. Uma empresa familiar, dirigida por José Natal e exemplo de como a profissão de mecânico é apaixonante.

 

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Natal trabalha com os três filhos e já iniciou a transição do negócio. Ele e o filho Leonardo José avaliaram as condições de reparabilidade dos dois modelos. O motor europeu passou por modificações, as quais incluíram a linha de combustível, já que no velho mundo a maioria dos motores utiliza gasolina ou diesel. É construído com materiais de baixo atrito e não tem o tanquinho de partida a frio. “Para fazer as revisões, trocar componentes como bobinas, velas, não necessita de ferramentas especiais. Neste caso é tranquilo para o mecânico”, avalia Natal.

 

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O que aparentemente poderia gerar alguma dificuldade seria uma intervenção nos bicos injetores. “Apesar de estarem posicionados na parte de trás do motor, há espaço para retirá-los sem remover o coletor. A maior dificuldade é para soltar os conectores. Eles são de difícil acesso. Este bico inclusive tem sistema de aquecimento, o qual elimina o tanquinho de partida a frio, o que é tendência no mercado”, comenta Leonardo José.

 

Motores três-cilindros vibram mais que os de quatro cilindros porque o balanço é desigual. E o coxim de fixação superior também tem a função de evitar que estas vibrações passem para a carroceria
“Este coxim é de fácil acesso e não precisa de ferramentas especiais, já o coxim do câmbio necessita de mais mão de obra. Mesmo assim é fácil a troca dos coxins”, fala Natal.

 

O filtro de ar não oferece dificuldades de acesso e Leonardo chama a atenção para o corpo de aceleração. “Comparado ao motor 1.5 anterior, este aqui é muito mais simples de acessar. No 1.5 tem uma abraçadeira atrás que dificulta o acesso”. A bateria é fácil de acessar, porém, exige um procedimento de segurança antes retirá-la. “É necessário deixar o carro desligado até o powerlet estabilizar, depois desligar primeiro o negativo e depois o positivo, assim não irá desconfigurar a rede CAN”, explica Leonardo.

 

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Leonardo José e José Natal, filho e pai da Megacar

 

Uma característica dos motores três -cilindros da PSA é de utilizar correia de sincronismo banhada em óleo. “Isso obriga o mecânico e também o proprietário do carro a ficar atento e não utilizar óleo de outra especificação”, recomenda Leonardo.

 

José Natal fala sobre as principais consequências de utilizar óleo fora da especificação. “O problema já começa na partida a frio, a dificuldade ao acionar o motor aumenta, as tolerâncias são menores e vai prejudicar a correia dentada”.

 

Ambos consideram de fácil acesso itens como a correia de acessórios, alternador, sensor de oxigênio, compressor do ar-condicionado, catalisador e sistema de arrefecimento. “Eu notei que a mangueira do reservatório tem curso longo, ela passa por baixo da longarina e vai atrás do
bloco do motor onde tem a conexão com a bomba d’água, o que não é comum. A dica é ficar atento a este tipo especifico de mangueira”, avalia Leonardo.

 

A suspensão dianteira do Onix Joy é independente tipo McPherson, sem barra estabilizadora. As molas são helicoidais com carga lateral linear. A parte traseira utiliza sistema semi-independente, com eixo de torção, também sem a barra estabilizadora. As molas são helicoidais com constante elástica linear. Os quatro amortecedores são telescópicos pressurizados, os freios são a disco ventilado e tambor na traseira.

 

Estas considerações feitas pelos dois profissionais valem para os dois carros tanto o Peugeot 208 quanto o Citroën C3 com motor 1.2 PureTech, porém uma diferença foi encontrada. “O liquido de arrefecimento do Peugeot tem a cor azul e o Citroën amarela, mas o importante não é a cor e sim, ficar atento a especificação do liquido e a proporção da mistura de água e liquido. Outro fator importante para o mecânico prestar atenção é que como os dois carros tem o mesmo motor é possível encontrara, as peças em uma concessionária da Peugeot ou da Citroën, o que facilita muito a nossa vida.

 

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Também vale destacar que neste motor o Grupo PSA voltou a utilizar o filtro de óleo convencional, que é mais fácil de substituir, no anterior é do tipo ecológico”, argumenta Natal.

 

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UNDERCAR

Peugeot 208 e Citroën C3 utilizam suspensão dianteira independente do tipo Pseudo McPherson com barra estabilizadora e molas helicoidais. Na traseira eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidais. Os freios são a discos sólidos (266×13) na parte da frente e tambores traseiros (8”). Pai e filho concordam que nos dois veículos estes sistemas são simples, de fácil acesso e não exigem ferramentas especiais, o mecânico realiza a substituição das peças sem dificuldades. “Mas é necessário ficar atento a bomba do ABS que está localizada dentro do para-lama dianteiro esquerdo. Isso é um ponto negativo, pois em uma colisão frontal pode afetar a peça”, avisa Leonardo.

 

Na versão Active o Peugeot 208 1.2 Flex com câmbio na manual de 5 marchas tem preço sugerido de R$ 52.990. Enquanto que o Citroën de mesmo motor e câmbio na versão St@rt custa R$ 43.990.

 

O motor de três cilindros fez bem aos dois carros. As condições de reparabilidade melhoraram.

 

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Ficha técnica

PEUGEOT 208 CITROËN C3 1.2 PURE TECH
Motor
Tipo: Dianteiro transversal, Gasolina e Etanol
Cilindros: 3 em linha
Válvulas: 12
Cilindrada: 1.200 cm³
Injeção eletrônica de combustível: M.P.F.I.
Potência: 84 cv (G)/ 90 cv (E) a 5.750 rpm
Torque: 12,2 kgfm (G)/ 13,0 kgfm a 2.750 rpm 

Câmbio
Manual de 5 marchas

 

Freios
Dianteiros: A disco sólidos
Traseiros: A tambor

 

Suspensão
Dianteira:Tipo Pseudo McPherson, independente, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora
Traseira:Travessa deformável, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora

 

Capacidades
Tanque: 55 litros
Porta-malas: 285 litros (208)/ 300 litros (C3)