Qualidade em Série

Mantenha a equipe treinada

 

Planejamento estratégico da oficina deve prever um calendário de treinamentos para os funcionários – não só os mecânicos, como também o pessoal do departamento administrativo da empresa

Texto: Fernando Lalli
Fotos: arquivo

 

Para o gestor da oficina mecânica, ter este tema em mente é essencial. O treinamento constante dos funcionários é a base para o conhecimento da empresa. Sem treinamento, nos tempos de hoje, a empresa vai ficando defasada, tanto na área técnica quanto na área de gestão de pessoas e administrativa.

 

Além disso, trata-se de um quesito fundamental na retenção de colaboradores na empresa. “Treinamento é um tema que a gente usa bastante em nossas palestras e foca bastante na auditoria”, conta Sérgio Ricardo Fabiano, gerente de Serviços do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva). Entre outras ações, o IQA, entidade acreditada pela Coordenação Geral de Acreditação do INMETRO, promove certificação de oficinas automotivas em diversos escopos.

 

“Cobramos as ações referentes a treinamento na auditoria de certificação porque entendemos que investir em treinamento é um dos elementos para fixar o funcionário na oficina. Além de outras necessidades, como um bom ambiente de trabalho, bom relacionamento e trabalho em equipe também ajudam. Mas o treinamento também faz parte dessa fixação do funcionário na empresa”, apontou Sérgio.

 

PLANEJAR ANTES DE TREINAR

 

Não basta treinar o funcionário só por treinar. O treinamento tem que ser útil e assertivo para o melhor andamento dos processos da oficina. É necessário montar um cronograma de treinamento de acordo com as necessidades dos funcionários.

 

Mas, antes de fazer o cronograma, a oficina precisa ter um planejamento estratégico bem definido, com análise do mercado local, conhecimento das necessidades dos clientes e da oficina em si. “Esse é um ponto que as empresas acabam colocando em segundo plano”, advertiu Sérgio. Ele dá o exemplo de que não adianta o gestor treinar seus funcionários para mexer em um modelo de veículo que está sendo lançado, mas que terá pouca venda na região em que a oficina está inserida. “Será um investimento que pouco vai mudar o meu negócio e vai se perder”, ressaltou.

 

Conhecendo o seu negócio, seu mercado e as necessidades dos funcionários, o gestor precisa buscar no começo do ano quais cursos de atualização disponíveis devem compor o cronograma, as respectivas cargas horárias e em quais períodos do ano eles vão acontecer.

 

Além dos treinamentos pagos, seja em escolas especializadas, palestras técnicas, cursos de montadoras e/ou fabricantes de autopeças, coloque no programa também cursos à distância pela internet (EAD ou e-learning).

 

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O cronograma deve prever não apenas os treinamentos externos, como também os internos. A transmissão de informação de funcionários já treinados para os que ainda não foram atualizados também deve constar no calendário. Por exemplo: quando um mecânico é treinado para operar um aparelho de alinhamento de direção, coloque na agenda uma data para que ele possa ensinar outros funcionários sobre como trabalhar naquele equipamento. Transmitir o treinamento de um colaborador para outro evita que a informação sobre aquele procedimento se perca e, no caso de urgência, permite que outros possam operá-lo.

 

Ao traçar esse cronograma, fica mais fácil planejar o fluxo de treinamentos na oficina não só pela disponibilidade de funcionários e pelo valor do investimento, mas também por função e grau de conhecimento dos colaboradores.

 

O SEGREDO: TREINE O ADMINISTRATIVO

 

Evidentemente, os treinamentos técnicos são os mais requisitados pelas oficinas. Porém, o especialista do IQA ressalta a importância dos treinamentos não técnicos, voltados ao setor administrativo e de gestão de pessoas, que também são essenciais para o negócio.

 

“O treinamento técnico é aquele que é o foco da minha atividade, que é reparar carros. Então, eu preciso ter competência e conhecimento para reparar. Só que a gente acaba esquecendo o pessoal administrativo, ou seja, o pessoal de atendimento, os consultores e até mesmo para o dono da oficina”, declarou Sérgio, reforçando que lidar com o cliente requer treinamento. “Eu preciso saber qual é a expectativa do cliente, saber ouvir o cliente”.

 

QUAIS TREINAMENTOS TÉCNICOS A OFICINA DEVE PRIORIZAR?

 

– Sistemas do veículo de acordo com o escopo da oficina (Injeção eletrônica, undercar, transmissão etc.);

 

– Treinamentos sobre veículos/marcas mais vendidos/as na região em que a oficina está inserida;

 

– Equipamentos e ferramentas: alinhador, balanceadora, recicladora de gás de ar-condicionado, scanner, multímetro, osciloscópio, ferramentas de medição (paquímetro, micrômetro, relógio comparador, súbito etc.)

 

QUAIS TREINAMENTOS NÃO-TÉCNICOS A OFICINA DEVE PRIORIZAR?

 

– Atendimento ao cliente;

 

– Financeiro (softwares e gestão financeira);

 

– Softwares de Orçamentação;

 

– Gerenciamento da Oficina;

 

– Gestão de pessoas

 

– Gestão Administrativa.

 

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Os consultores também precisam ser treinados quanto ao software de gestão e orçamentação que a oficina usa para saber todos os recursos que oferece. Ainda, devem saber como redigir um orçamento corretamente.

 

Com a atualização dos treinamentos pelas fabricantes de automóveis, ferramentas, softwares e autopeças, o mecânico fica a par de novas tecnologias e novos produtos que podem fazer com que você atualize sua gama de equipamentos – assim como acontece sazonalmente nas feiras e eventos do setor.

 

“As empresas que se preocupam com o treinamento, não só o técnico, mas como um todo, tem uma qualidade melhor das suas ações e do seu processo interno”, complementa o gerente de Serviços do IQA. “A organização, o planejamento e a busca de treinamentos diferenciados se reflete efetivamente na melhoria do serviço prestado para o cliente, na diminuição de custos internos, no aumento de sua produtividade e, consequentemente, no retorno financeiro”.