Manutenção Preventiva

Revisão de 60 mil Km no Fiat Mille 07/08 (parte 1)

 

Ferramentas de medição, processos de serviços, cuidado ao condenar os componentes facilitam o dia a dia de trabalho e fidelizam o cliente

Por: Edison Ragassi

 

Uma oficina mecânica é a extensão da casa do cliente. O ambiente deve ser limpo, confortável e agradável. Além disso, o empresário mecânico de automóveis tem que orientar, atualizar sua equipe e utilizar procedimentos claros que expliquem a real necessidade de realizar o serviço e trocar as peças. Isso porque, atender bem é essencial para conquistar e fidelizar clientes.

 

A rede de lojas DPaschoal desenvolveu em seu CTTi (Centro de Treinamento Técnico e de Inovação), localizado em Campinas/SP, ferramental e técnicas que auxiliam a equipe a trabalhar melhor.

 

Estes procedimentos e as ferramentas desenvolvidas foram utilizados nesta matéria, feita pelo técnico da empresa Danilo Ribeiro. Ele faz o diagnóstico e a substituição das peças em um Fiat Mille 2007/2008, o qual passou pela revisão de 60.000 km

 

Diagnóstico

 

A DPaschoal trabalha com o conceito ‘medir e testar antes de trocar’, assim, tendo como base as recomendações do manual do proprietário o processo de diagnóstico segue a seguinte ordem:

 

1. Verificar etiqueta do óleo. A última troca foi feita em 23/10/2015 e a quilometragem era de 54.800. Até dezembro de 2016, o carro completou 60.000 km. Neste caso a substituição deve ser feita, pois ultrapassou um ano de uso. A recomendação é de trocar o óleo a cada 15.000 km ou 1 ano.

 

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2. Também é necessário substituir os filtros: ar, óleo e combustível.

 

3. Verificar as borrachas e braço das palhetas. No caso da borracha estar quebradiça, ressecada ou torta é necessário substituir. Verificar o braço. Se estiver torto é preciso substituir. Teste a eficiência no vidro. Lave a borracha e o vidro e acione o limpador. Neste caso o final do curso da palheta apresenta vibração, o que representa borracha ressecada.

 

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4. Com equipamento apropriado teste a bateria e o alternador. O teste mostra que o alternador envia a carga corretamente (12,59 V) e a vida útil da bateria está comprometida, assim é recomendada a troca.

 

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5. Verificar o fluido de freio. O primeiro passo é checar o nível, caso esteja abaixo do recomendado não completar. Cheque todo o sistema para saber se há vazamento. Com o aparelho verifique a contaminação. O líquido está no nível, porém, contaminado, assim é necessário substituir. O fluido do freio deve ser checado a cada 10.000 km e a substituição feita uma vez por ano.

 

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6. Verificar o óleo do motor. Caso esteja abaixo do nível é necessário avaliar se há vazamento.

 

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7. Verificar o filtro de ar. Avaliar as aletas. Não limpe com ar comprimido, pois além de abrir os poros do filtro, o ar comprimido tem partículas de água que comprometem o elemento filtrante.

 

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8. Checar o estado dos amortecedores. A DPaschoal desenvolveu um equipamento para avaliar a eficiência das peças através de sons. Faça também a avaliação visual, verifique se há vazamentos. Neste carro é necessário trocar.

 

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9. Testar as condições do amortecedor da tampa do porta-malas. Baixe até a metade do curso, se ele descer está comprometido e verifique se não há vazamento.

 

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10. Levantar o carro para verificar as peças do undercar. Inicie verificando as folgas. Balance manualmente a roda para os lados. Com este procedimento é possível verificar o estado da barra axial, pivô, terminais, buchas e barra de direção.Deve ser feito com outro profissional. Enquanto um balança a roda, o outro checa as condições dos itens.

 

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11. Para verificar a caixa de direção, esterce a roda. Com a mão verificar se a cremalheira apresenta folga. Caso positivo, como neste carro, é necessário trocar a caixa.

 

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12. Movimente a roda verticalmente e observem a haste do amortecedor. Se toda a estrutura movimentar, representa fadiga do coxim. Levante a coifa do amortecedor e verifique se há umidade.

 

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13. Verifique o batente do amortecedor.

 

Obs: Para ganhar tempo, faça a analise em movimento circular. Se iniciou pela roda dianteira direita, na sequência faça a traseira, depois a traseira-esquerda e termine na dianteira-esquerda.

 

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14. Girar a roda e segurar no corpo do amortecedor para verificar o rolamento. Caso apresente vibração, é sinal de que a peça precisa ser substituída.

 

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15. Verificar as molas. Ao apresentar quebra, cor fosca ou batendo os elos, é sinal de fadiga.

 

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16. Checar as bandejas, buchas e borrachas da parte de baixo do carro. O procedimento é feito com a espátula. As buchas devem ser verificadas uma a uma.

 

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17. Verificar as coifas da homocinética.

 

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18. Verificar os terminais da barra tensora.

 

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19. Com a espátula faça movimento no pivô de baixo para cima e verifique se há folga.

 

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20. Testar os coxins de câmbio e motor.

 

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21. Verificar os coxins do escapamento, se há vibrações, trincas ou furos no abafador e silencioso traseiro.

 

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22. Verificar a coifa do câmbio. Caso esteja ressecada ou rachada é necessário substituir.

 

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23. Verificar as buchas traseiras uma a uma.

 

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24. Checar o estado dos batentes dos amortecedores traseiros.

 

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25. Verificar o feixe de molas, se as fitas não estão desgastadas.

 

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26. Verificar o cabo do freio de estacionamento.

 

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Obs: Para tirar as rodas, nos veículos da linha Fiat, Peugeot e Citroën evite a máquina pneumática, pois a rosca é fina (passo 1,25 mm), já que eles podem espanar por causa do torque da máquina de impacto. O ideal é soltar com a chave de roda.

 

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27. Cheque o estado dos parafusos das rodas. Ao apresentar fadiga, substitua.

 

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28. Faça o diagnóstico do sistema de freio. Pergunte ao cliente se ele percebe barulhos, vibrações no volante ou dificuldades na frenagem.

 

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29. Girar a roda para verificar se não trava.

 

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30. Verificar o desgaste das pastilhas.

 

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31. Fazer a medição de empenamento dos discos de freios com o relógio comparador. Por ser uma ferramenta sensível, trave o disco com os parafusos da roda. Pode oscilar até 0,1 mm. Oscilação maior significa que o disco está empenado.

 

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32. A medição do desgaste é feita pela espessura do disco. No caso da DPaschoal utiliza-se um paquímetro com 4 mm de vista (vão superior entre os encostos da ferramenta), ao invés do micrometro. A empresa justifica que: “adotou como padrão que, se a rebarba do disco interferir no contato do paquímetro com o disco, ou seja, se as rebarbas ultrapassaram os 4 mm da vista, significa que o disco atingiu o limite de desgaste e deve ser substituído”.

 

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33. Verificar os flexíveis do freio, se há rachaduras ou trincas. É um item importante, pois se falhar os freios deixam de atuar.

 

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34. Dentro do veículo verifique a altura do freio de estacionamento e pedal do freio. Caso o pedal ceder significa que o cilindro mestre está comprometido.

 

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35. Cheque o reparo da pinça. A peça deslocada necessita ser substituída.

 

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36. Testar o servo freio (hidrovácuo). Verificar se a válvula segura o vácuo com o carro desligado.

 

37. Verificar o sistema traseiro que é composto por tambor, lonas ou sapatas, cilindro de roda e as molas de ancoragem das lonas.

 

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38. Checar se o sistema está travado ou apresenta vazamento. Com as mãos movimente lateralmente, se apresentar resistência ele está travado.

 

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39. Apertar as coifas do cilindro. Ao verter óleo significa que necessita substituir o cilindro.

 

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Obs: A sapata pode vitrificar, o material endurece e não desgasta, assim escorrega no tambor e sobrecarrega os freios dianteiros.

 

40. Fazer analise visual da lona. Verificar se não está trincada, quebrada e se o material de atrito encosta no rebite. Medir a lona com o paquímetro, o limite de troca é de 2 mm.

 

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41. O cubo de roda não pode estar oxidado. Caso esteja, lixe-o para garantir melhor assentamento do tambor

 

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42. Verificar os flexíveis traseiros. Cheque se não estão ressecados, quebrados, cortados ou se incham ao pisar no pedal.

 

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43. Checar o cabo do freio de estacionamento. Caso esteja torto ou cortado é necessário
substituir.

 

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44. Medir com o paquímetro o diâmetro do tambor. A marcação impressa na peça indica qual o diâmetro máximo, neste caso é de 199,7 mm, ele está com 199 mm.

 

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45. Verificar o desgaste dos pneus. Com uma ferramenta chamada ‘profundimetro’ faça a medição da profundidade dos sulcos dos pneus. Ele não deve ser utilizado na área acima do TWI. O mínimo permitido pela Legislação brasileira é 1,5 mm. Os pneus devem ser avaliados a cada 6 meses ou 10.000 km.

 

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Obs: Na lateral do pneu há a sigla TWI- Indicador de desgaste do pneu. Ela direciona a visualização de desgaste no centro do pneu. Ainda na lateral, checar a validade. Ao lado das letras ‘DOT’ há várias inscrições e quatro números. Os dois primeiros indicam a semana que foi fabricado e os dois últimos o ano. Neste caso os números são 3613, ou seja, 36ª semana de 2013. A validade do pneu é de 5 anos.

 

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46. Avaliar as condições do sistema de injeção eletrônica. Para isso é necessário retirar a tampa de proteção. As velas estão colocadas na parte de trás do cabeçote. Retirar as velas. A retirada deve ser feita com uma chave soquete 16 mm específica para este fim, ela é imantada. Isso evita que a vela caia, pois em caso de queda ela está condenada.

 

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47. Depois de retirar a vela do primeiro cilindro, verifique se ela está corroída ou suja de óleo. Veja também se a cerâmica está trincada, quebrada ou apresenta oxidação. O eletrodo deve ser medido com o cálibre. Utilizar a tabela que é fornecida pelo fabricante de velas. No caso do Mille 2007/2008 a medida é 0,8 mm e a tolerância é de 0,9 mm. Esta vela não atende as especificações, por isso é necessário substituir.

 

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Obs: Não ajuste o eletrodo manualmente, essa prática só serve para esconder o problema.

 

48. Verificar a contaminação da câmara de combustão. O equipamento para esta finalidade é o boroscópio. A câmera do aparelho deve ser colocada no primeiro cilindro.

 

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49. Checar as condições de contaminação do TBI (Corpo de borboleta). Ao apresentar sujeira, manchas escuras é necessário fazer a limpeza.

 

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50. Aos 60.000 km a Fiat recomenda avaliar as condições da correia sincronizadora (correia dentada). O diagnóstico é feito visualmente. Os dentes não podem estar quebrados ou ressecados. A borracha não deve estar desfiada ou apresentar folga.

 

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Obs: Se uma correia apresentar fadiga e a outra não, recomenda-se a troca das duas.

 

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51. Verificar a correia do alternador, o procedimento deve ser feito pela parte de baixo do
carro.

 

Obs: Se uma correia apresentar fadiga e a outra não, recomenda-se a troca das duas.

 

Substituição das Peças.

 

52. Substituir a palheta. Verifique se o adaptador está correto. A palheta utilizada tem um adesivo que ao ser removido deixa a mostra um indicador de desgaste. Quando aparecer a cor amarela indica o momento da troca. Monte com a trava para baixo.

 

53. Checar o liquido de arrefecimento. Caso esteja abaixo do mínimo, verificar se há vazamento no sistema, as condições da tampa e completar. Siga as instruções do fabricante sobre a proporção água/ líquido de arrefecimento.

 

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54. Antes de colocar as velas novas, utilizar o cálibre. A medida certa é 0,8 mm. Caso esteja fora é necessário abrir ou fechar o eletrodo até atingir o ponto correto. Na vela nova este procedimento é permitido

 

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55. Com a chave soquete 16 mm coloque as velas. Inicie o aperto manualmente. Rosquear com cuidado, se sentir resistência pare e reinicie o processo, pois ao forçar, a rosca pode espanar. Para o aperto final o ideal é utilizar o torquimetro, caso ele não esteja disponível, utilize a catraca. Leve a chave até o zero e aperte até a metade. Repita o processo. (técnica conhecida como aperto 30 minutos- 15+15).

 

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56. Substituir os cabos das velas. Aos 60.000 km a fabricante recomenda trocar os itens. Fique atento ao tamanho dos cabos, eles indicam em qual cilindro deve ser utilizado. Para não instalar errado, retirar individualmente o desgastado e colocar o novo.

 

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Obs: Após a troca das velas e cabos, conecte o equipamento de diagnóstico, cheque se há falhas no sistema e corrija.

 

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57. Fazer a limpeza do TBI com produto especifico para este fim. Utilizar também produto no tanque para auxiliar a limpeza

 

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58. Trocar o filtro de ar. Após retirar o filtro saturado limpe a caixa e depois coloque o filtro novo.

 

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59. Para fazer a troca de óleo não é necessário retirar totalmente o protetor de cárter. Ao soltar três parafusos há acesso ao bujão e filtro de óleo. O esgotamento do óleo por gravidade deve ser feito com óleo em temperatura média. O bujão ou o anel deve ser trocado.

 

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60. Retirar o filtro do óleo. O procedimento pode ser feito manualmente ou com ferramenta própria.

 

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61. Verificar se o anel de vedação saiu com o filtro. Se não saiu retirar, pois o novo filtro tem anel. Se colocar anel sobre anel haverá vazamento.

 

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62. Antes de aplicar o filtro novo verifique se ele é compatível, compare com o que foi retirado. Molhe com óleo novo o anel. O filtro deve ser colocado com a mão. Se estiver deslizando utilize uma lixa para auxiliar e gire até travar.

 

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63. Após o óleo escorrer recoloque o bujão. Aperte suavemente para não espanar a rosca e limpe o excesso.

 

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64. Avaliar se não há outros vazamentos. Verifique se o protetor de cárter não está amaçado ou torto, pois gera barulho. Recolocar a peça e apertar com chave. Não utilizar máquina de impacto, ela pode comprometer a rosca.

 

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65. Colocar o óleo do motor, a quantidade é de 2,7 litros com o filtro.

 

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Obs: Após colocar o óleo ligue o motor deixe funcionar por alguns minutos e desligue. Em seguida retire a vareta do óleo e cheque o nível.

 

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66. Trocar o filtro de combustível. Soltar a proteção e em seguida soltar a abraçadeira que segura o elemento filtrante. Ao instalar utilize a seta impressa na carcaça do filtro para identificar a posição do fluxo.

 

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Confira nas próximas edições a continuação da manutenção preventiva de sistemas de direção, freios e suspensão deste Uno Mille