Mecânica Diesel

Conserte ECUs de motor diesel em sua oficina

 

Aprenda a fazer o reparo de unidades de gerenciamento eletrônico de motores diesel com as ferramentas dedicadas para a função. Essa modalidade de manutenção pode se tornar um grande negócio para o seu estabelecimento

Texto: Fernando Lalli
Fotos: Alexandre Villela

 

Caminhões e ônibus evoluíram de forma absurda nos últimos 20 anos. Não foi fácil acompanhar: até mesmo a mais antenada oficina especializada em mecânica diesel teve que correr atrás de conhecimento, treinamento de funcionários e ferramental adequado para lidar com as novidades. Agora tinham que lidar com novidades que iam do ABS, passavam pela injeção eletrônica e recentemente culminaram nos sistemas Euro 5 (EGR e SCR). Um baita trabalho de atualização para todo o mercado.
 

Dentro da eletrônica embarcada, a unidade do sistema de gerenciamento eletrônico do motor (popularmente conhecida pela sigla em inglês ECU = “Eletronic Control Unit”) sempre foi encarada pelo mecânico independente como uma verdadeira “caixa-preta”, quase intocável. Em caso de falha, o reparo se resumia na simples troca por uma ECU nova.
 

Pelo alto valor da peça, na ponta do lápis, compensa fazer o reparo de uma ECU danificada. Mas não basta apenas conhecimentos básicos em eletrônica. Trata-se de um trabalho complexo, que exige equipamentos dedicados especialmente para tal, dentro de um processo minucioso, seguindo uma literatura técnica. Não se trata apenas de soldar um componente novo na placa…
 

Bancada de testes

 

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Visando essa necessidade, a empresa Chiptronic desenvolveu para o setor de manutenção de veículos comerciais uma bancada completa de testes para diagnóstico e manutenção de ECUs. “É um reparo complexo, por isso, é muito importante que você tenha os equipamentos corretos e as informações necessárias para conseguir dar sequência em um trabalho como esse – que é complexo, mas muito rentável”, declara Luciano Vaz, da área de treinamentos da Chiptronic.
 

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O procedimento a seguir foi executado em um módulo Scania Euro V que, conforme reclamação do cliente, apresentava defeito no acionamento da unidade injetora de combustível nº5.
 

Neste passo a passo, foram utilizados:

 

A. Um simulador ECU Test Diesel Pro, que aciona a ECU reproduzindo os parâmetros de funcionamento do motor e do veículo em si. O simulador possui módulos auxiliares para reproduzir os sistemas de cada montadora (Mercedes-Benz,
Volvo e Scania, por exemplo, possuem módulos auxiliares específicos);

 

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B. O coordenador da ECU, que faz parte do kit de testes, juntamente com os cabos para reproduzir as ligações originais da ECU do veículo no simulador;

 

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C. Um scanner DieselDiag para ler e atestar os códigos de falha da ECU;

 

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D. Um osciloscópio, para leitura do sinal diretamente na placa do circuito;

 

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E. Software ECU Repair, que mostra a foto real do circuito com a descrição dos componentes do circuito e a função de cada um.

 

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Diagnóstico da ECU

 

1. Faça as ligações padrão da ECU de acordo com o original determinado pela fabricante do veículo.

 

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2. Uma característica importante do sistema Scania EMS S6: quando há uma falha na ECU, na ligação da Linha 15 no sistema da bancada de testes, haverá três pulsos simultâneos nos LEDs do módulo auxiliar do simulador. Para executar a função, selecione no simulador o sistema “Scania EMS S6”, depois selecione opção “Scania S6”, em seguida acione a “Linha 30” e a “Linha 15”. Neste momento, a ECU desta reportagem acusou que possuía algum erro ao fazer piscar os LEDs do módulo por três vezes.

 

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3. Para simular o funcionamento da ECU, proceda exatamente como no passo anterior, adicionando apenas o acionamento da “Partida”. O módulo auxiliar acusa agora nos LEDs o defeito em si: a ausência do acionamento da unidade injetora nº5. O efeito alegado pelo cliente era procedente.

 

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4. O passo seguinte é comprovar a anomalia da ECU no scanner. O uso do scanner é importante, segundo Luciano, porque nem todos os defeitos vão aparecer diretamente no simulador de testes. As ferramentas devem ser utilizadas em conjunto. Na leitura da memória de falhas da ECU, existiam três falhas presentes: a ausência do sensor NOx e da unidade de comando do SCR (que não estavam conectadas no sistema) e a falha da unidade injetora do cilindro nº 5.

 

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Abrindo e testando mais uma vez

 

5. Comprovada a falha, siga para a ECU. Solte as conexões dos cabos e abra a ECU para ter acesso ao circuito eletrônico. Neste caso, esta ECU Scania possuía sete parafusos de fixação do suporte em sua placa. Luciano utilizou uma pequena parafusadeira para soltá-los.
 

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6. Como a placa é colada em sua carcaça com silicone, utilize uma talhadeira para descolar as duas peças. É necessária paciência para não danificar a peça.

 

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7. Para identificar a peça que está com defeito na ECU, a Chiptronic oferece o software ECU Repair, no qual é possível ter a visão geral do módulo, ver a posição e a função em cada peça. Ao passar o mouse, é possível saber qual a função de cada peça. Comparando a imagem do computador com o circuito na mesma posição, é possível identificar o transistor que controla a unidade injetora nº 5. Ao clicar sobre a peça, o software ainda permite a visão expandida do componente, detalhando as características e funções de cada pino.

 

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8. Identificado o componente, faça o teste de sinal com o osciloscópio (escala de voltagem) para comprovar o problema. Para isso, ligue novamente os cabos de conexão na ECU e execute o teste como está no passo nº3. Enquanto o teste é executado, ligue a ponta de prova negativa do osciloscópio à massa e a ponta positiva, primeiramente, ao pino de entrada do componente defeituoso – no caso deste transistor, o terminal 1 (8a). Pelo osciloscópio, nota-se que há sinal de entrada, ou seja, o componente está sendo acionado (8b). Entretanto, mudando a ponta de prova para o terminal 6, responsável pelo sinal de saída do componente, a tela acusa que não há nenhum sinal. Isso atesta definitivamente o problema. Para efeito de comparação, fazendo o teste no mesmo pino de outro transistor de unidade injetora, sem defeito, o osciloscópio mostra o sinal de saída de aproximadamente 40 Volts (8c).

 

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Troca do transistor

 

9. Para remover o componente, devido à grande área de dissipação da placa, é preciso utilizar dois ferros de solda. Posicione os dois ferros de solda sobre o componente e espere o estanho aquecer.

 

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Obs: Pode ajudar a adição de um pouco de estanho para aquecer a área e remover a peça.

 

10. Com cuidado, remova o transistor defeituoso.

 

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11. Prepare a instalação do componente novo aquecendo o estanho na placa para deixá-lo bem liso.

 

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12. Coloque estanho na base da peça nova, aquecendo-o com ferro de solda.

 

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13. Posicione a peça no local, ela vai ficar um pouco fora de posição no início. Vá com os dois ferros novamente para travar as duas extremidades. Espere esquentar um pouco. É um passo que demanda paciência até que a peça se acomode no lugar.

 

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14. Com o componente colado corretamente, refaça o teste no simulador, primeiro como no passo nº2 (os LEDs devem piscar apenas uma vez) e depois como no passo nº3 (todos os LEDs devem piscar).

 

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15. Refaça também o teste do osciloscópio, como no passo nº 8. O sinal de saída do terminal 6 deve aparecer na tela do aparelho de medição.

 

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16. Refaça o teste do scanner tal como no passo nº4. A memória de falhas não deve mais ter o código de avaria da unidade injetora nº 5.

 

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17. Lacre novamente a ECU com silicone, antes de parafusá-la em seu suporte, para evitar infiltração de água ou umidade.

 

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Mais informações – Chiptronic Tecnologia Automotiva: (14) 3351-6060