Artigo

Serviços satélites

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Bancada de caixa de direção

 

Texto: Fernando Landulfo
Fotos: Arquivo

 

Muito, mas muito tempo atrás, quando as peças de reposição eram raras e caras e os mestres em determinados ofícios eram escassos no mercado (a maioria estava empregada na indústria), era muito comum uma oficina de automóveis atuar como uma mini fábrica. Ou seja: produzia-se e/ou recuperava-se tudo aquilo que era necessário para o reparo do veículo e que não estava disponível, de imediato, nas prateleiras dos autopeças.

 

Sim, naquela época, o mecânico tinha que saber soldar, operar um torno, ajustar peças com uma lima e tantas outras operações fabris que se faziam necessárias. E, se não soubesse, tinha que contratar os profissionais que sabiam. Era isso ou arriscar ficar com vários veículos “encalhados” nos boxes, esperando por peças, que poderiam levar meses para chegar (se chegassem).

 

Essa era a realidade da época. Para poder operar, a oficina tinha que desviar uma parte dos seus recursos para atividades paralelas, que não eram o foco do negócio. E, com o tempo, isso se tornou quase que uma tradição. Até pouco tempo atrás, muitas oficinas ainda dispunham de setores de solda e usinagem próprios. Mesmo havendo disponibilidade no mercado, muitos empresários se recusavam a terceirizar esses tipos de serviços. O receio quanto ao cumprimento dos prazos e a qualidade do serviço prestado era uma barreira quase que intransponível.

 

Mas o custo sempre fala mais alto. As novas gerações, que aprenderam a medir a produtividade da empresa e “colocar tudo na ponta do lápis”, chegou à conclusão que esses “setores” custavam muito. E como, em tempos de crise, quem tem o menor custo operacional é mais competitivo, a terceirização passou a ser vista com outros olhos.

 

É claro que a difusão dos cursos profissionalizantes, a desburocratização para a abertura e gerenciamento de micro e pequenas empresas, associado às demissões da indústria, fez aparecer no mercado um monte de bons prestadores de serviço. Profissionais altamente especializados que, ao perder o seu posto de trabalho na indústria, optou por montar o seu próprio negócio para sobreviver.

 

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Testes em virabrequim retificado

 

Hoje em dia, raríssimos são os casos onde o mecânico não terceiriza aquilo que não faz parte da sua atividade: consertar veículos.

 

Sim, as chamadas atividades satélites são um excelente negócio, que movimentam uma grande quantia de dinheiro e empregam milhares de pessoas. Quem se arrisca a entrar nesse ramo, raramente se arrepende.

 

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Mas é preciso ter cuidado. Prazos e qualidade devem ser levados muito a sério. O mecânico, que atua diretamente com o dono do veículo, não pode se dar ao luxo de ter que refazer o seu trabalho ou atrasar a entrega do veículo (com risco de perder o seu cliente e ter a sua fama denegrida) por conta se um serviço mal feito ou não entregue. E quem “pisa na bola”, geralmente, é “queimado” no mercado.

 

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Mas que serviços são esses?

 

Usinagem em geral:
– “Retifica” de tambores e discos de freio;
– Fabricação de buchas de bronze e latão (suspensão, alternadores e motores de partida);
– Pequenos ajustes em pinos e buchas de aço;
– Recuperação de roscas;
– Fabricação e ajuste de pequenas peças sob encomenda.

 

Radiadores:
– Conserto, e reforma.

 

Solda em geral:
– Solda em alumínio;
– Solda em latão e bronze;
– Solda em antimônio;
– Soldas especiais.

 

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Outros serviços que estão entre os mais comuns são:
– Conserto e recuperação de faróis
e lanternas;
– Limpeza e jateamento de peças;
– Galvanoplastia;
– Usinagem em peças de motores (retífica);
– Alinhamento de direção;
– Balanceamento de rodas;
– Recuperação de caixas de direção hidráulica;
– Conserto e recuperação de motores de partida e alternadores;
– Conserto e recuperação de carburadores e distribuidores;
– Conserto e recuperação de unidades de comando;
– Martelinho de ouro;
– Retoques em pinturas;
– Limpeza interna do veículo.