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Mangueiras: os cuidados para não “ficar na mão”

por Fernando Landulfo

 

Muita gente só lembra que o veículo tem mangueiras quando elas se rompem e deixam o condutor na mão. Não, não se culpe. Até mesmo os mais experientes Guerreiros das Oficinas já passaram por apuros (e vergonhas) por causa delas.
E a razão é simples: é muito difícil prever quando as mesmas vão romper. E entenda-se rompimento aquilo que vai desde um simples e diminuto furo (os mais difíceis de detectar), até o seccionamento total da peça.
A vida útil desse importante componente, presente em diversos sistemas do veículo, pode apenas ser estimada. E a sua troca realizada preventivamente. O velho e conhecido teste da dureza (apertar a mangueira e “sentir” a sua maleabilidade) nem sempre funciona. E para entender o porquê é preciso ver o que há por dentro delas.
A mangueira é um conduto flexível, ou seja, no seu projeto está prevista uma movimentação relativa entre partes que ela une, assim como, a sua dilatação.
Seu projeto e construção depende diretamente da aplicação. Ou seja, não existe uma única “receita” para se “fazer” mangueiras. No entanto, pode-se dizer que, na maioria dos casos que envolvem a indústria automotiva, as mesmas têm uma estrutura composta de fios trançados (nylon, aço, kevlar), recoberta por uma ou mais camadas de material vulcanizado. Quando as mangueiras têm formato complexo e precisam exercer função estrutural (suportar uma carga), a sua estrutura é reforçada por um ou mais componentes rígidos, geralmente feitos de polímeros.

Não é tudo igual

É preciso deixar muito claro que, uma aparente similaridade entre dois modelos, claramente identificados como diferentes, pode gerar um desastre. Em outras palavras: apesar de parecerem idênticas, duas mangueiras podem oferecer diferentes características construtivas (fluido a ser conduzido, temperaturas e pressões de operação). Logo, não se pode deixar levar pelas aparências ou palpites. Se uma determinada aplicação exige uma determinado tipo ou modelo de mangueira, em hipótese nenhuma, ela deverá ser substituída por outra de especificação diferente. Não existe material polivalente. E para piorar, os desastres geralmente ocorrem algum tempo depois da instalação. Na hora da substituição é preciso seguir rigorosamente um catálogo de aplicação, de um fabricante idôneo.
As mangueiras automotivas são projetadas e construídas para ter uma vida útil bastante longa, apesar de trabalhar em condições bastante desfavoráveis (grandes variações de temperatura e pressão, intempéries, e fluidos agressivos).

 

 

 

Não deixe romper

 

Porém, como qualquer outro componente mecânico, as mangueiras estão sujeitas a fadiga. O material de recobrimento resseca e trinca. Por sua vez,as tramas que formam a estrutura da mangueira, enfraquecem ou oxidam devido a infiltrações de fluido (micro trincas no material de recobrimento) ou se rompem devido à fadiga do material. E detectar isso previamente é muito difícil. Quando o material de recobrimento está enrijecido, a mangueira já está prestes a romper. E o rompimento nem sempre é total.
Por vezes, ele é muito pequeno, um micro furo, que permite o vazamento de fluido e é muito difícil de detectar, como ocorre nos sistemas de ar condicionado. Outras vezes, o micro vazamento é de combustível que pode incendiar o veículo. Na melhor das situações, provoca uma entrada falsa de ar no coletor de admissão, que deixa a marcha lenta “quadrada” e o pedal de freio “meio duro”.
O melhor, então, é trocar preventivamente esses componentes. É claro que isso nem sempre é bem visto pelos clientes: trocar algo que ainda está bom. Mas, com certeza, ele ficará muito mais aborrecido se a mangueira romper totalmente numa rodovia, durante uma viagem com a família, ou num translado, com tempo contado, dentro da cidade.

 

E o que fazer então?

O melhor a fazer é cumprir os prazos de troca sugeridos pelos planos de manutenção preventiva das montadoras. Principalmente no que diz respeito aos sistema essenciais como alimentação, freio, direção e arrefecimento. Como os períodos variam de sistema para sistema, não vai pesar muito no bolso do cliente em cada revisão.
Outro aspecto importante é a qualidade do material aplicado. É claro que a peça genuína é a preferida, já que conta com a garantia da montadora, além da certeza da correta aplicação (peça/modelo de veículo). No entanto, todos sabem que nem sempre isso é possível. Nessa hora, é preciso saber escolher. Fabricantes para o aftermarket renomados e fornecedores de montadoras certamente disponibilizam materiais de excelente qualidade a preços bastante razoáveis. Os catálogos podem ser facilmente encontrados na Internet. Se o veículo for importado é preferível importar a adaptar. Afinal de contas: “mangueira não é tudo igual”.
Os tubos rígidos obedecem a uma regra similar. Via de regra são fabricados em aço carbono ou compostos poliméricos. No entanto, apesar da aparente robustez, também estão submetidos a fadiga e corrosão. E quando se percebe o dano, já é tarde demais. O grande revés de se fazer a substituição preventiva dos mesmos é o custo. Dependendo do modelo, não só são bastante caros (só genuínos) como difíceis de trocar (posições complicadas ou requerem a desmontagem de muitos outros componentes). Assim sendo, o melhor a fazer é tentar prolongar a vida útil dos mesmos.

 

Mas como?

 

 

Substituindo periodicamente o fluido de freio, substituindo periodicamente o fluido de arrefecimento e mantendo o mesmo devidamente aditivado (aditivo e proporções corretas) e drenando periodicamente o reservatório de ar comprimido.
Outro componente que merece atenção e por vezes é deixado de lado é a abraçadeira.
Devido as constantes mudanças de temperatura (dilatação contração), as mesmas também sofrem ação da fadiga e precisam periodicamente reapertadas e substituídas junto com as respectivas mangueiras.
O problema ocorre justamente nessa hora: a substituição de produtos genuínos por outros de qualidade duvidosa. Muitos são os casos relatados de abraçadeiras de roscas novas, recém instaladas, que simplesmente soltam (rosca espanada). Adquirir e instalar componentes confiáveis é de extrema importância. A Internet possibilita encontrar e contatar os melhores fabricantes. Nada de usar abraçadeiras de mangueira de jardim. Da mesma forma, tomar cuidado ao apertar, utilizando a chave correta. Agora, se a abraçadeira for do tipo “de mola” ou de cabeça prensada, utilizar a ferramenta correta para desmontar e montar. As abraçadeiras de cabeça prensada devem ser substituídas a cada intervenção.